Novo chefe do MEC traz alívio por aceitar o óbvio

O pastor Milton Ribeiro, novo ministro da Educação, reconheceu no seu discurso de posse que o Estado é laico e que ele terá que dialogar com acadêmicos e educadores. São duas obviedades absolutas. Mas o óbvio virou uma espécie de comprovação da teoria evolucionista de Darwin diante do terraplanismo educacional dos antecessores Velez Rodrígues e Abraham Weintraub, que pareciam ter dificuldades para aceitar Copérnico.

Deve-se aplicar à chegada do pastor a filosofia das botas apertadas de Brás Cubas. Personagem do célebre livro de Machado de Assis, Brás Cubas vivia momentos de raro alívio e prazer depois de descalçar as botas ao entrar em casa. Concluiu que as botas apertadas são uma das maiores venturas da terra. Fazendo doer os pés, as botas oferecem ao dono a extraordinária satisfação de se livrar delas. Nessa teoria, os calos existem para aperfeiçoar a felicidade terrestre.

Em um ano e meio de governo, Milton Ribeiro é a quarta tentativa de Jair Bolsonaro de livrar o Ministério da Educação dos inconvenientes provocados pelos calos da irracionalidade. Carlos Decotelli, o terceiro calo, caiu antes da posse, por inconsistência curricular.

Impossível prever qual será o tempo de duração do alívio, pois as qualidades do novo ministro são desconhecidas. E ele fará mudanças apenas pontuais na equipe do MEC. Terá de conviver com parte dos auxiliares deixados por Weintraub. Na secretaria de Alfabetização, por exemplo, há um olavista. No Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação, há um par de prepostos do centrão, o agrupamento partidário dinheirista.

O novo ministro declarou-se “entristecido” com o flagelo educacional brasileiro. Sem citar nomes nem números, fez referência às colocações dos estudantes brasileiros no ranking do Pisa. Trata-se do Programa Internacional de Avaliação de Estudantes. O último relatório foi divulgado em dezembro de 2019. Trazia resultados referentes ao ano de 2018. Expôs a raiz do atraso nacional.

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Fonte: UOL

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