Universidades oferecem projetos voltados a idosos da comunidade

Fonte: MEC - Assessoria de Comunicação Social   

Georgina Evaristo da Silva, 69 anos, passava por um profundo processo de depressão em meados de 2017 quando ouviu falar da Universidade do Envelhecer (UniSer). O programa de extensão da Universidade de Brasília (UnB) direcionado à terceira idade mostrou à moradora de Ceilândia, no Distrito Federal, um outro lado da vida. Diversas universidades ao redor do país, como a Federal do Espírito Santo (Ufes) e a Federal do Pará (UFPA) oferecem programas similares, sempre gratuitos e abertos a pessoas da comunidade, independentemente do grau de instrução.

“O idoso acha que, quando envelhece, acaba a vida. E infelizmente muitos deles têm famílias que os abandonam. Mesmo vivendo dentro de casa com várias pessoas, o idoso se vê só. Filhos e netos acham que ele não sabe mais de nada, que não faz mais nada. E isso acaba gerando a depressão”, conta Georgina, que concluiu o programa da UnB no fim de 2018. “Os idosos precisam ser escutados, precisam de atividades, ou seja, precisam de vida. É preciso viver! É onde entram os programas de extensão, como a UniSer.”

Os projetos mudam de universidade para universidade, mas os atores são sempre professores e alunos da instituição, além de parceiros locais e facilitadores. O objetivo primordial é contribuir para o fortalecimento da cidadania do idoso, enfatizar direitos, contextos políticos, econômicos e socioculturais, em um processo de troca entre os envolvidos (idosos, facilitadores, estagiários e professores), e imbuir a terceira idade de qualidade de vida e bem-estar. Mas todo o processo traz, além dos resultados sociais, ferramentas fundamentais para a evolução da educação na instituição.

Ufes – A Ufes tem como programa de extensão a Universidade Aberta à Terceira Idade (Unati), que funciona há 22 anos. As atividades, realizadas sempre às quintas-feiras, no período da tarde, são divididas em quatro módulos: Saúde e qualidade de vida; Psicologia, sociedade e opressões; Idoso e cidadania, e Memória e História. Além disso, oferece oficinas de canto, dança sênior, espanhol, psicologia, memória e arte-terapia.

“Cerca de 150 idosos são atendidos por semestre”, explica a professora e coordenadora do projeto, Cenira Andrade. “Após o curso, eles contam que mudaram o comportamento. Vários chegam ao programa recomendados por médicos, geriatras, gerontólogos, muitos deles em estado de depressão. Após o curso, a melhora na autoestima é perceptível.”

UnB – “O retorno para a comunidade é incrível, mas a instituição também colhe os frutos. Quando entrei para a Universidade do Envelhecer (UniSer) eu era aluna da graduação na UnB. E o programa proporcionou meu crescimento profissional”, conta Kerolyn Ramos Garcia, professora da UniSer. “Como aluna de graduação, desenvolvi a extensão. Em seguida fiz a pós-graduação em gerontologia e, no mestrado, meu projeto de pesquisa foi no âmbito da UniSer. E agora estou no doutorado, avaliando a validade social de tudo, ou seja, o quanto o programa tem influência nos alunos e na comunidade. Sem contar que os profissionais envolvidos, os docentes e estudantes da universidade, têm vivência com o envelhecer. Não são profissionais que vão falar do envelhecimento sem nunca ter convivido com o idoso.”

O programa de extensão da UnB se dá pelo curso Educador Político Social no Envelhecimento Humano, com duração de um ano e meio. A cada semestre as inscrições são abertas por meio de edital, com 300 vagas, e qualquer pessoa acima de 45 anos, independente da escolaridade, pode se inscrever.

“É um curso voltado para o envelhecer, ou seja, para aprender a envelhecer com qualidade. Durante o curso eles têm disciplinas de direito, cidadania, políticas públicas, educação física, línguas, cultura, enfim, uma grade bem extensa e completa, totalizando 810 horas de curso”, destaca Kerolyn. As atividades ocorrem de segunda a sexta-feira, no período da tarde.

Para Georgina Evaristo, a transformação nos idosos que participam de programas como esse é visível. “Você envelhece e acha que não é mais capaz de muitas coisas. E o programa te mostra que a terceira idade é completamente diferente. Ele te mostra que você é capaz. E capaz de ir além daquilo que você necessita. Ele ensina que as pessoas não podem cortar seus sonhos, e sim que você pode sonhar e realizar”, destaca.

As propostas proporcionam vivências conjuntas das profissões envolvidas, visando possibilitar a convivência e a construção de relações interpessoais mais inclusivas entre os professores e estudantes de graduação e pós-graduação de diferentes cursos. Tudo isso ressalta o princípio integrador e inclusivo das universidades, trabalham melhor a questão do ensino, da extensão e da pesquisa, e ajudam a fazer evoluir a educação nas instituições.

Pará – A Universidade da Terceira Idade, programa de extensão da Universidade Federal do Pará (UFPA), funciona desde 1991 e, de lá para cá, ajudou muitos paraenses a encarar a terceira idade com mais conhecimento, segurança e disposição. Maria Leonice da Silva de Alencar, coordenadora há dez anos, participou de muitos desses resultados.

“Quando os idosos saem do curso, a autoestima e a motivação são completamente diferentes. Muitos idosos que participaram do projeto, aliás, continuam estudando. Hoje temos uma idosa de 70 anos que está fazendo faculdade de serviço social e outra de 76 está concluindo a faculdade de turismo. O resultado é bem visível”, destaca Maria Leonice.

A Universidade da Terceira Idade da UFPA dura um ano e atende cerca de 250 idosos por temporada. São quatro os programas: Atualização cultural na terceira idade; Arte e cultura; Corpo, movimento e qualidade de vida; Graduação permanente. “As disciplinas focam os aspectos biológicos, psicológicos e sociais, ensinam o idoso a compreender como melhorar a qualidade de vida e a autoestima, a enfrentar a timidez e a exclusão social, e, além disso, proporcionam trocar experiências com alunos e professores de diversas faculdades”, explica Maria Leonice.

“Uma universidade não tem seus muros fechados”, lembra Kerolyn, da UnB. “A proposta da extensão universitária é que a instituição consiga se abrir para levar contribuição social à comunidade. E mais especificamente sobre a terceira idade, esses programas tiram essas pessoas de dentro de casa e mostram a elas que o fato de envelhecer não é uma coisa ruim. É claro que há limitações, mas é possível conviver com elas, ser ator da própria vida e ter uma atuação social.”

Acesse o programa de extensão da Ufes 

Acesse o programa de extensão da UFPA 

Acesse o programa de extensão da UnB


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