Três bons exemplos para as universidades brasileiras

Fonte: Gazeta do Povo

Currículo flexível, parceria com o mercado e gestão compartilhada com alunos são fruto de inovação em instituições estrangeiras

No debate sobre a situação das universidades brasileiras, há pelo menos um consenso: o modelo atual tem sido pouco eficaz em assegurar qualidade de ensino e formar profissionais bem preparados. E, embora as realidades americana e europeia ainda pareçam distantes do cotidiano nacional, há bons exemplos no exterior que poderiam inspirar mudanças no Brasil. Separamos três deles. Confira:

Western Governors University: flexibilização curricular 

Flexibilização do currículo é a ideia por trás da Western Governors University, uma instituição sem fins lucrativos fundada em 1996 pelos governadores de 11 estados norte-americanos. O objetivo era formar alunos mais bem preparados para o mercado de trabalho, o que levou à criação de um método pioneiro de educação baseada em competências.

O modelo criado pela Western leva em conta o conhecimento que o estudante deve ter ao completar certo grau de formação e permite que cada aluno o adquira de forma independente, construindo o seu próprio caminho por meio das lições.

A personalização também se aplica à quantidade de matérias que um aluno precisa para se formar. Estudantes que já possuem um nível de conhecimento em determinado assunto podem fazer testes de aptidão para receber os créditos daquela disciplina e não são obrigados a ter aulas sobre temas que já conhecem.

“Eles estão pegando esse processo que permanece igual há centenas de anos e estão mudando fundamentalmente, de modo que fique mais eficiente”, disse Martin Kurzweil, diretor do Programa de Transformação Educacional da Ithaka S+R, consultoria em educação de ensino superior, em entrevista à The Atlantic.

Nas instituições que utilizam o modelo de educação baseado em competências, não há salas de aula, quadro-negro ou boletins. O processo de ensino é diferente daquele encontrado em universidades tradicionais: o professor conversa com cada estudante individualmente, enquanto estes constroem o seu aprendizado de acordo com o próprio ritmo. “Nós estamos focados no aprendizado, não no ensino”, explica o orientador do programa de Mestrado em Educação para Saúde Profissional da Universidade de Michigan, que utiliza o modelo de educação baseada em competências.

Universidade Liverpool John Moores: parceria com o mercado de trabalho

Historicamente, universidades voltadas para a pesquisa científica não têm como prioridade em seus currículos o mercado de trabalho – a ideia por trás delas é preparar pesquisadores que produzam conhecimento científico, não necessariamente preparar os alunos para a força de trabalho. A Universidade Liverpool John Moores quebrou essa regra ao lançar um modelo de ensino superior que enfatiza a aprendizagem voltada para o mercado de trabalho e o desenvolvimento de competências em colaboração com potenciais empregadores.

O modelo é pioneiro não só por revolucionar o modelo de universidades voltadas para a pesquisa, mas também por criar um nível de engajamento entre aluno e empregador que é inédito no ensino superior.

“Pretendemos ser uma universidade respeitada mundialmente pelas contribuições que fazemos aos nossos alunos, nossa cidade e nossa região”, diz Nigel Weatherill, professor e vice-chanceler da instituição.

A instituição conta com o programa World of Work, ou Mundo de Trabalho, que foca no desenvolvimento de competências dos alunos com a participação de consultores e potenciais empregadores de diversos países. Durante o programa, os alunos desenvolvem competências específicas para o mercado de trabalho, ao mesmo tempo em que ganham experiência prática e criam uma rede de contatos com profissionais da sua área de interesse.

Deep Springs College: gestão conjunta 

Uma fazenda com cerca de 10 quilômetros quadrados abriga 26 estudantes que gerem de forma totalmente independente uma instituição de ensino superior de elite fundada em 1917. Localizada no vale desértico de Deep Springs, na Califórnia, a faculdade é gerida pelos próprios alunos, que controlam as admissões de novos alunos, contratação e demissão de professores.

“É uma educação experimental”, disse Jill Lawrence, diretor de operações da Deep Springs College, ao The Guardian. “Autogestão significa que os alunos têm muito que dizer. Eles levam a sério porque têm de viver com as consequências”.

No campus, os alunos tem disciplina rígida: não podem beber, usar drogas ou sequer sair do deserto em que a fazenda está localizada. Eles também participam da manutenção da fazenda, operando máquinas agrícolas, fazendo manutenção geral das instalações e cuidando da limpeza e do gado, entre outras funções.

O objetivo é colocá-los em contato com formas de trabalho manual paralelamente ao desenvolvimento intelectual, criando uma ponte entre duas formas de trabalho distintas e quase nunca englobadas simultaneamente por instituições de ensino. Ao mesmo tempo, desenvolvem um senso de comunidade e colaboração, além de reflexões intelectuais que não são interrompidas pelo mundo externo. “Tudo aqui é integrado”, explicou o estudante Philippe Chlenski também ao The Guardian. “É um modo de estar no mundo que um estudante normal não conhece.”

 

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