Educação 360’ discute os desafios da nova escola

Fonte: O GLOBO

Qual é a melhor idade para alfabetizar uma criança? Como as aulas podem ser mais atraentes? De que maneira a escola pode ser diferente? O primeiro dia do Educação 360 foi de questionamentos. Na abertura, um debate sobre a Base Nacional Curricular Comum (BNCC), documento que está sendo elaborado para nortear o ensino de todas as crianças e jovens no Brasil, reuniu os especialistas Aldemir Almagro, professor da cidade de Novo Horizonte (SP); Eduardo Deschamps, presidente do Conselho Nacional de Educação (CNE); Pilar Lacerda, da Fundação SM Brasil; e Alice Ribeiro, secretária executiva do Movimento pela Base, além da mediadora Mônica Dias Pinto, gerente de desenvolvimento institucional da Fundação Roberto Marinho.

Almagro, que teve sua escola referendada pela Fundação Lemann, destacou que a BNCC é um primeiro passo fundamental:

— A cidade de onde venho tem quatro escolas públicas com três sistemas de ensino diferentes para 40 mil habitantes. O que podemos imaginar para o Brasil? A Base é uma necessidade para que todos tenham acesso ao mínimo de educação de qualidade, mas é uma solução emergencial.

Durante o debate, Eduardo Deschamps frisou que o papel do CNE não é elaborar um novo documento, mas fazer ajustes no que já existe. Alice Ribeiro mostrou iniciativas ao redor do país para a implementação da Base.

— Ela não acaba quando o CNE enviá-la ao MEC. Tem que ser um documento vivo e deve ser revisto — afirmou.

Em uma das grandes palestras do dia, o filósofo francês Gilles Lipovetsky defendeu um ensino que contemple tanto o saber técnico quanto o desenvolvimento pessoal e a compreensão do mundo.

— O saber oferece autonomia aos indivíduos. A cultura geral é indispensável para elevar a capacidade crítica dos jovens — analisou. — O conhecimento técnico é necessário, mas devemos formar seres humanos, e não somente pessoas úteis.

Na escola do futuro, a metodologia de ensino atual tende a ser substituída por modelos próximos ao Project Based Learning (Aprendizado baseado em projetos), que prega o “aprender fazendo”. A tendência, já aplicada em alguns colégios pelo mundo, foi defendida pelo chefe da Seção de Políticas Educacionais da Unesco, Francesc Pedró, e pela fundadora e diretora da Fundación Escuela Nueva, Vicky Colbert.

Pedró, que lidera o setor responsável pelas políticas de desenvolvimento, tecnologia e educação da Unesco, acredita que a nova economia exige o desenvolvimento das chamadas habilidades do século XXI — uma combinação de capacidades para resolver problemas, trabalhar em equipe e se comunicar melhor.

— Este tipo de ensino está se convertendo no padrão de inovação educativa em todo o mundo. Isso é bem desafiador para as escolas, porque viemos de uma cultura na qual tudo precisa ser encapsulado em uma disciplina específica, e ninguém parece ser realmente responsável por ensinar essas habilidades — assinalou o educador.

A Fundação Escuela Nueva, dirigida pela palestrante Vicky Colbert, é uma das instituições internacionais que já promove uma educação com participação mais ativa do aluno. A metodologia foi implementada em 20 mil escolas e permitiu universalizar o ensino primário na Colômbia.

— É possível mudar o paradigma pedagógico em grande escala e levar educação de qualidade para os mais necessitados — disse ela.

O “Educação 360” é uma realização dos jornais O GLOBO e “Extra”, com parceria do Sesc, patrocínio da Fundação Telefônica, do colégio pH e Fundação Itaú Social, apoio da Unesco e Unicef e parceria de mídia da TV Globo, Canal Futura, revista Crescer, revista Galileu e TechTudo. O evento é transmitido pelo site do GLOBO . Ainda há vagas para a programação desta sexta-feira. As inscrições podem ser feitas no local (Escola Sesc de Ensino Médio — Av. Ayrton Senna 5.677, Jacarepaguá) e estão sujeitas à lotação. A programação completa está disponível no site www.educacao360.com.

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