Dia da Escola sem escola

Muito se falou sobre volta às aulas presenciais em março. Seria o momento em que teríamos o maior número de alunos frequentando escolas ao mesmo tempo em todo o país desde o início da pandemia da covid-19. Mesmo que no chamado modelo híbrido, com parte do ensino mantido no formato virtual, um claro sinal de que a vida estaria voltando à normalidade, ainda que nova. No entanto, estamos encerrando a primeira quinzena do mês e, ao contrário, agora já não há expectativa de retorno e, em muitos locais, houve retrocesso, com o fechamento de unidades educacionais para manter alunos, professores e pessoal de apoio e área administrativa dentro de casa e evitar a exposição ao risco de contaminação pelo coronavírus.

Nesta segunda-feira, 15 de março, Dia da Escola, em vez da algazarra nos pátios de colégios, do murmurinho pelos corredores, dos reencontros depois do fim de semana e do astral de crianças e jovens em salas de aula, o silêncio e o vazio.

Em Minas Gerais, o governo chegou a divulgar um protocolo de saúde para a volta às aulas presenciais, desde que houvesse autorização municipal e desejo dos pais dos alunos, para as ondas verde e amarela do Minas Consciente, programa que classifica regiões mineiras conforme a gravidade da pandemia e determina a abertura ou o fechamento de setores do comércio e serviços. Isso foi em 24 de fevereiro. De lá para cá, a onda verde, com menos restrições, sumiu do mapa, que ganhou uma nova tonalidade, a roxa, com autorização de funcionamento apenas de atividades essenciais.

Na capital mineira, a primeira semana de março seria decisiva para a definição do planejamento para o retorno das aulas presenciais. A ideia do prefeito Alexandre Kalil, assessorado pelo Comitê de Enfrentamento à covid-19, era avaliar o impacto do período do carnaval (mesmo com as festas proibidas) sobre os casos da doença, passadas duas semanas. Diante da piora nos indicadores, voltamos à estaca zero.

Já o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha, nem esperou o início do mês e baixou novo decreto sobre o fechamento de estabelecimentos comerciais como forma de combate ao coronavírus, incluindo “atividades educacionais presenciais em todas as creches, escolas, universidades e faculdades, das redes de ensino pública e privada”. A medida foi flexibilizada há uma semana.

Em São Paulo, a solução encontrada pelo governador João Doria foi a antecipação do recesso e a suspensão das aulas presenciais de hoje a 28 de março. Na capital do estado, o prefeito Bruno Covas determinou que o recesso de julho será antecipado na rede municipal, que retoma as atividades em 5 de abril. Escolas privadas até poderão adotar outra medida, desde que não recebam alunos presencialmente.

Entre a interrupção há quase um ano para uns e as idas e vindas para outros, o debate jurídico vai ganhando força, numa batalha de liminares a favor e contra as aulas presenciais. Fato é que a pandemia no Brasil nunca esteve em fase tão dramática, levando o país a ocupar o primeiro lugar em número diário de mortes por covid-19. Com um agravante: internações e mortes de crianças e jovens vítimas da doença têm sido mais frequentes. Triste lição para aqueles que insistem em negar os riscos e a desafiar as orientações de isolamento social. Todos perdem nessa guerra, seja pela falta de socialização diante da extensão da privação do convívio com colegas de classe, seja pela dificuldade no acesso remoto às aulas e, especialmente, pelos danos à saúde física e mental e pelas vidas que sucumbem ao vírus.

Fonte: Correio Braziliense

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