Carta de Renato Janine Ribeiro

Valor Econômico 31/03/2015

A respeito da matéria publicada na edição de ontem, na página A12, preciso fazer um esclarecimento. Não é verdade que eu seja contra o ensino privado, menos ainda que minha gestão na Diretoria de Avaliação tenha sido difícil para o setor. Ao contrário! Deixamos claro, eu e o Conselho Técnico-Científico da Capes, que a aprovação se faria apenas pelo mérito. E fomos muito atentos ao fato de que, quando uma instituição propõe um mestrado ou doutorado, ela já contratou o corpo docente e preparou as instalações para o mesmo, como bibliotecas e laboratórios. Isso tem um custo. No caso das IES privadas, se demorar um ano ou dois para o projeto ser aprovado, ela terá gasto um valor por um ano ou dois, sem ter receita.

 O que fizemos?

 1- Aceleramos a aprovação. Ficou mais ágil. Cursos propostos em março, se estivessem bem montados, estariam aprovados em maio e funcionando em agosto.

2 – Capacitamos os proponentes. Realizei oficinas de orientação para IES privadas e públicas explicando como funciona o sistema de pós-graduação. Muita coisa não se sabia e ficou mais claro.

3 – Instituímos visitas de orientação. Isto é, se a proposta tinha falhas, mas dava para ser refeita de modo a poder ser aprovada, mandávamos consultores, a custo zero para a instituição, a fim de orientar sobre os pontos falhos. Corrigidos estes, a proposta poderia ser aprovada. (É óbvio que os consultores da Capes não participariam do exame da proposta revista).

4- O exemplo talvez melhor dessa nova relação com o setor privado foi o da Uniban, que tivera vários pedidos rejeitados. Ela conseguiu aprovar um bom doutorado em ensino de ciências, área absolutamente relevante para o país. E também propôs, sendo aprovado, um mestrado profissional para lidar com adolescentes em conflito com a lei. Esse tema, nem precisamos dizer o quanto é importante. Orgulhei-me muito desses êxitos da área privada.

5- Os anos em que estive na Capes (2004-2008) foram de expansão do ensino superior público. A pós-graduação privada era bem pequena – porque, é bom lembrar, é muito difícil a pós-graduação strictu sensu dar lucro.

Renato Janine Ribeiro, Professor Titular, Ética e Filosofia Política da USP

Carta de Renato Janine Ribeiro

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