Cade: Superintendência faz dura crítica à fusão entre Kroton e Estácio

Autores: Lucas Marchesini e Beth Koike
Fonte: Valor Econômico – Brasília e São Paulo

A Superintendência Geral do Cade publicou no começo da noite desta sexta-feira parecer completo sobre a fusão entre Kroton e Estácio com críticas à transação. “Trata-se de uma operação que não pode ser aprovada sem restrições, sendo pertinente indagar, inclusive, se é possível sua aprovação mesmo com alguma eventual restrição”, diz trecho do documento.

O parecer pontua que, caso a fusão seja aprovada, o “remédio” aplicado na transação entre Kroton e Anhanguera seria inócuo. Em 2014, quando o Cade aprovou a aquisição da Anhanguera com restrições foi exigida a venda da Uniasselvi, instituição de ensino a distância comprada em 2015 pelo Carlyle e Vinci Partners.

 A secretaria argumenta que a Estácio é maior do que a Uniasselvi. ”Ou seja, a aquisição da Estácio por meio da operação almejada mais do que recompõe a participação de mercado perdida pela Kroton em decorrência do remédio imposto pelo Cade”, segundo o parecer.

 Em resposta à publicação do documento do Cade, a Kroton divulgou nota informando que buscará com a Estácio “uma solução negociada junto ao Tribunal do Cade com o objetivo de afastar preocupações concorrenciais identificadas e obter a aprovação da operação”.

 Plenário

A fusão entre a Kroton e a Estácio será decidida pelo plenário do órgão antitruste. A decisão foi publicada nesta sexta-feira no sistema do Cade em despacho da Superintendência Geral. Dessa maneira, o caso será sorteado entre os conselheiros da autarquia, que passará a negociar “remédios” concorrenciais para os problemas identificados na operação.

De acordo com documento, “a operação tiraria do mercado um ‘player’ importante com marca consolidada e capacidade de investimento em propaganda e marketing, que têm contribuído para aumento da rivalidade entre as empresas, ao adotar estratégia de preços baixos”.

 O estudo destacou também a importância de investimentos em marketing no mercado de ensino a distância e apontou que a publicidade é uma barreira para a entrada no setor.

O órgão antitruste pontua ainda que a “atuação no ensino presencial facilita a atração de alunos no ensino a distância, revelando a forte relação entre as duas modalidades”.

 Em novembro, a Kroton ofereceu vender todo o ensino a distância da Estácio como contrapartida para que fusão entre as duas empresas fosse aprovada.

 

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