Ato em Brasília mostra ‘efeito dominó’ dos cortes de verbas da educação federal

Fonte: G1 DF

Ação cenográfica instalou livros gigantes na Esplanada dos Ministérios; ideia é mostrar impacto em saúde, ciência e meio ambiente. No primeiro semestre, corte afetou 70% das instituições federais.

Professores e pesquisadores de universidades federais fizeram um “ato cenográfico” nesta segunda-feira (9) em frente ao Congresso Nacional, em Brasília, para protestar contra os cortes nos orçamentos das instituições, e de outros órgãos ligados a ciência e tecnologia. Na ação, livros gigantes foram derrubados em “efeito dominó” para mostrar o impacto dos cortes em áreas como saúde e meio ambiente.

O protesto faz parte da campanha “Conhecimento sem Cortes”, iniciada em junho em várias capitais do país. Ao longo desses cinco meses, os participantes conseguiram reunir cerca de 82 mil assinaturas contra o contingenciamento das verbas.

“Queremos mostrar o nosso trabalho, o retorno do estudo e a importância disso. […] Tem equipamentos parados, pesquisadores que estão saindo do país e não voltam”, diz a professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) Tatiana Roque, uma das coordenadoras do movimento.

Segundo ela, as ações desenvolvidas até o momento serviram “para que a população esteja do lado da educação, em defesa da ciência”.

“A gente está tendo uma fuga de cérebros. Nós não estamos atraindo estudiosos, e nem estamos mantendo eles aqui.”

 As 82 mil assinaturas devem ser entregues ao governo e a parlamentares em uma audiência pública na Câmara dos Deputados, na manhã desta terça (10). O tema da reunião será, justamente, o debate “sobre o orçamento da ciência e tecnologia, seus cortes e consequências para o desenvolvimento do país”.

“A universidade, a ciência e tecnologia, ao longo dos anos, estão sendo afetados com esses cortes. Ano que vem, e com a lei do teto de gastos, há perspectiva de que vá piorar”, diz Tatiana.

Pesquisadores apreensivos

O protesto também foi encampado por entidades que representam os alunos dessas instituições. Presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos, Tamara Naiz diz que os cortes colocam em risco 90% das pesquisas feitas no país – capitaneadas por estudantes nessa faixa de ensino.

“A gente vive apreensivo pela possível queda da bolsa. A bolsa de mestrado não permite ter vínculo empregatício, e o salário é de R$ 1,5 mil, apenas”, explica. Segundo ela, essa incerteza faz com que muitos acadêmicos procurem instituições de ensino no exterior – e não voltem, depois de concluir o curso.

“A gente tá muito preocupado, é um medo em relação ao futuro, da placa de ‘não há vagas’. Mas, ao mesmo tempo, é o momento de manter resistência. […] A gente sente a desconstrução do nosso futuro.”

 Outras ações

 Desde o início da campanha “Conhecimento sem cortes”, em junho, os pesquisadores também instalaram “Tesourômetros” em várias capitais do país. Os painéis eletrônicos atualizam, minuto a minuto, o valor dos cortes em ciência, tecnologia e educação.

Segundo os idealizadores, desde 2015 os cortes já ultrapassaram o valor de R$ 11 bilhões. Segundo o professor do Instituto de Economia da UFRJ Carlos Frederico Leão Rocha, os cálculos foram realizados em cima dos cortes de custeio e investimento do Ministério da Ciência e Tecnologia, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) e das universidades federais.

Neste ano, a verba federal para a pesquisa sofreu um corte de 44%. O orçamento discricionário (flexível, descontadas as despesas obrigatórias) do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações de R$ 5,81 bilhões caiu para R$ 3,27 bilhões.

 

 

 

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