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O horário eleitoral gratuito é uma dieta de emagrecimento intelectual.
Além de serem engraçados, os candidatos capricharam nas propostas de operar o milagre da multiplicação dos pães. Milagre é efeito sem causa e o único que diziam ser capaz de tal proeza foi posto na cruz há dois mil anos. De lá para cá, a multiplicação dos pães só é possível pelo prévio investimento em padarias.
Os demagogos parecem não julgar relevante explicar ao povo a mágica da colheita farta sem a dura faina do plantio. A maioria dos candidatos apresentou um aspecto comum: a promessa de ajudar os pobres. No estilo de fazer política em nosso País , a pobreza é um campo fértil aos que só tem a oferecer a mediocridade temperada com interesse próprio.
Há candidatos bem-intencionados e de bom nível intelectual, capazes de compreender a sociedade, os problemas e as soluções. Mas esses têm uma dificuldade enorme em transmitir sua mensagem e conquistar votos. É desanimador! A ajuda momentânea aos pobres pode ser ato de caridade humanitária, porém, jamais será fórmula eficiente para elevar o padrão de vida da população e libertá-la da dependência das esmolas do Estado.
A história mostra que a pobreza só pode ser superada quando as pessoas evoluem, qualificam-se e passam a ajudar a si mesmas, e quando existe crescimento econômico. Ademais, nenhum programa governamental, até hoje, foi capaz de eliminar pobreza e foram todos contaminados por ineficiência e corrupção. O que o pobre precisa é de quatro coisas: educação, emprego, renda e oportunidade de progresso. Alcançar esses objetivos é tarefa que requer, entre outras condições, um ambiente institucional que favoreça o espírito de iniciativa e os investimentos.
O Brasil faz tudo errado: a carga tributária é altíssima, a legislação trabalhista é contra a geração de empregos, o governo é um peso para o investidor e o cipoal burocrático desanima qualquer iniciativa. Alguns candidatos chegaram a tocar nesses problemas, porém, sempre de maneira perfunctória e superficial. Há quem culpe o formato do horário eleitoral gratuito, que não permite a expressão detalhada das idéias. Entretanto, isso não justifica a ausência de propostas lógicas e factíveis. Basta ler as entrevistas e artigos escritos por candidatos: na maioria das vezes são desfiles de análises vazias e idéias mal-formuladas.
O debate eleitoral não tem sido um bom combustível para o aprimoramento cultural do povo. É, antes, um mercado de ilusões e uma feira de milagres. Lamentavelmente, parcelas substanciais da população acreditam nas tolices que são ditas e nas soluções, igualmente tolas, que são propostas. A conseqüência é uma só: não é eleito necessariamente quem tem mais talento e competência; é eleito o melhor feirante, aquele que consegue vender melhor a sua mágica. Essa obsessão em dizer que vão ajudar os pobres contribui para a crença de que somos um país de miseráveis que jamais terão capacidade para cuidar de suas próprias vidas. É um discurso paternalista, assistencialista e protecionista que não alerta para o fato de que a ajuda constante, sem uma contrapartida de educação do beneficiário, é receita para eternizar a pobreza.
Há um velho e repetido provérbio de Confúcio, de 551 a .C., que diz: “Dê a um homem um peixe e você o alimentará por um dia. Ensine-o a pescar e você o alimentará por toda a vida.” Obrigar o cidadão a um programa de educação liberta-o da esmola do Estado e livra-o da submissão aos políticos demagogos, coisa que não deve agradar aos que se nutrem da miséria e dos miseráveis.
Só há um jeito de eliminar a pobreza e os que ganham com a sua existência: vincular a ajuda governamental à obrigatoriedade de que o beneficiário se submeta a um programa de educação. Não há saída a não ser pela educação das massas, coisa que o mundo inteiro já sabe e que o Brasil teima em não enfrentar de maneira definitiva.
José Pio Martins , professor de Economia e Vice-Reitor do Centro Universitário Positivo - UnicenP
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