Apenas 2% das instituições de ensino superior têm nota máxima em avaliação do MEC

Fonte: G1 - Educação

MEC divulgou os resultados do Conceito Preliminar dos Cursos (CPC) e o Índice Geral dos Cursos (IGC).

Por Marcelo Valadares e Elida Oliveira, G1

Apenas 2% das instituições de ensino superior e 1,7% dos cursos avaliados obtiveram a nota máxima nos índices que medem a qualidade da educação no país, tanto em instituições públicas quanto privadas.

Apesar de os dados serem baixos, a entidade que reúne as empresas mantenedoras do ensino superior privado ressalva que os índices estabelecem uma média da avaliação dos cursos, e somente quem está acima desta média se destaca. “Se tivermos a maioria de cursos bons, somente os excelentes vão se destacar, mas isso não quer dizer que os demais são ruins”, pondera Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp.

Os dados são do Índice Geral dos Cursos (IGC) e do Conceito Preliminar dos Cursos (CPC), que integram o Sistema Nacional de Avaliação do Ensino Superior (Sinaes). Eles foram divulgados nesta quinta-feira (12) pelo Ministério da Educação (MEC) e pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep).

Os resultados consideram a avaliação feita em 2018, quando foram analisados 2.052 universidades, institutos federais, faculdades e centros universitários e 8.520 cursos de bacharelado e superiores de tecnologia.

Os dados determinam parâmetros para o MEC definir, por exemplo, a participação das instituições de ensino superior em programas do governo. Em caso de sucessivas notas insatisfatórias, pode haver sanções. Os dois índices classificam os cursos e instituições em uma escala de 1 a 5, onde 1 e 2 são insuficientes e 5 é nota máxima.

 

Melhora na avaliação das instituições

Entre as 2.052 instituições avaliadas pelo Índice Geral de Cursos (IGC), 2% tiveram nota máxima. Houve uma relativa melhora em relação a 2015 e a 2012, ano das últimas avaliações. Nos dois anos, apenas 1,1% das instituições haviam conquistado a nota máxima.

Outro ponto que demonstra uma melhora foi a diminuição de instituições consideradas com notas insuficientes. Em 2012, 0,5% delas tinham nota 1, enquanto 16, 7%, nota 2. Em 2015, 0,4% obtiveram nota 1 e 14,4% nota 2. Neste ano, 0,3 obtiveram notas 1 e 12,6% nota 2.

Dos dados divulgados pelo IGC, as universidades públicas federais se destacam. Nenhuma delas teve nota 1 ou 2, consideradas insatisfatórias. De 105 instituições, 13 tiveram a classificação máxima; 59 obtiveram a classificação 4 e 33 ficaram na média, tirando a nota 3.

No IGC, 1.784 instituições privadas e 246 públicas foram avaliadas. Destas, 27 privadas alcançaram as notas máximas, contra 15 públicas. Nenhuma universidade pública teve a nota mínima, o que ocorreu com 7 privadas.

Para Rodrigo Capelato, diretor executivo do Semesp, a variação positiva ocorre porque as universidades estão investindo em mais professores com mestrado e doutorado atuando em regime integral ou parcial. Outro ponto é que o índice leva em consideração a avaliação feita por estudantes sobre o projeto pedagógico e a estrutura das instituições.

“A evolução mostra que as instituições investiram nestes insumos, o que efetivamente melhorou a qualidade dos cursos e a satisfação dos estudantes”, afirma.

Melhora na avaliação dos cursos

O CPC avaliou 8.520 cursos. Entre eles, 847 ficaram com notas consideradas baixas (1 e 2) e 149 obtiveram a nota máxima (5).

O conceito considera quesitos como a qualidade da formação dos professores, o Conceito do Exame Nacional de Desempenho dos Estudantes (Enade), o desenvolvimento dos estudantes que estão concluindo os cursos e a percepção dos alunos sobre o processo de formação oferecido.

Áreas de Avaliação do Enade 2018

  • Bacharelados: Administração, Administração Pública, Ciências Contábeis, Ciências Econômicas, Design, Direito, Jornalismo, Psicologia, Publicidade e Propaganda, Relações Internacionais, Secretariado Executivo, Serviço Social, Teologia e Turismo
  • Cursos Superiores de Tecnologia: Comércio Exterior, Design de Interiores, Design de Moda, Design Gráfico, Gastronomia, Gestão Comercial, Gestão da Qualidade, Gestão de Recursos Humanos, Gestão Financeira, Gestão Pública, Logística, Tecnologia em Marketing e Processos Gerenciais

Em 2018, apenas 1,7% dos cursos conseguiram a nota máxima. Este índice demonstra uma melhora em relação à última avaliação, realizada em 2015, onde apenas 1,2% das instituições conseguiram a nota máxima. No comparativo com 2012, penúltima avaliação, o índice foi de 1,5%.

Por outro lado, a nota 2 foi obtida em 9,5% dos cursos, e a nota 1, por 0,4%. Comparando os resultados de 2018 com 2015 e 2012, houve um aumento de cursos com nota 1, mas uma diminuição dos cursos com nota 2. Em 2015, 11% dos cursos obtiveram a nota 2 e 0,3% tiveram a nota 1. Enquanto em 2012, 11,8% ficaram com nota 2 e 0,2% com nota 1.

As universidades públicas tiveram 1.244 cursos avaliados, sendo que 12 cursos alcançaram a nota máxima. Na rede privada foram 7.259 cursos, sendo 137 com nota máxima. No ponto oposto, a nota 1 foi obtida por 31 universidades privadas e 3 públicas.

Entenda os três principais indicadores do Sinaes:

  • Conceito Enade: Desempenho dos estudantes concluintes dos cursos de graduação no exame aplicado pelo MEC em ciclos – os cursos são avaliados uma vez a cada três anos.
  • Conceito Preliminar de Curso (CPC): Indicador dos cursos de graduação, calculado a partir da nota do Enade e de outras informações, como uma comparação entre a nota dos estudantes ingressantes e concluintes, do perfil dos professores e dados do questionário respondido pelos participantes do Enade. Cada curso tem o CPC calculado a cada três anos.
  • Índice Geral de Cursos (IGC): É o indicador que avalia as instituições de ensino superior públicas e privadas (universidades, centros universitários ou faculdades), calculado com base na média do CPC dos cursos nos três anos anteriores, além dos conceitos de avaliação da pós-graduação, que também é trienal

Críticas aos índices

A metodologia do IGC e do CPC são criticadas pelo Conselho Nacional de Avaliação do Ensino Superior (Conaes), ligado ao Ministério da Educação.

Em novembro, os conselheiros analisaram uma proposta de não divulgação dos resultados dos índices em 2020. Um dos conselheiros, Simon Schwartzman, argumentou que a metodologia faz com que os cursos e instituições não sejam avaliados em toda a sua complexidade.

Em relação às instituições Schwartzman argumentou que o IGC faz médias de avaliações com ponderações diferentes, o que leva à distorção dos dados.

Para Capelato, apesar de os indicadores terem problemas, eliminá-los seria ainda pior.

“Acabar com eles é uma solução ruim. Você poderia aperfeiçoá-los ou criar novos indicadores. O Brasil já é carente de indicadores, se acabar, o que terá para avaliar se a instituição é boa ou ruim?”, afirmou.

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